
"Mas e aí que eu descobri de onde saíram todos os monstros.
Descobri o porquê havia tempestade e o porquê eu estava bem no meio dela.A verdade é que ela estava bem no meio de mim.E os gigantes que eu queria derrubar. Queria e não conseguia.Não conseguia porque mirava errado. Mirava no reflexo... o reflexo de mim mesma.
(...)
E aí que eu descobri que eu, por eu mesma, empilhei os tijolos, passei o cimento, encaixei as grades e os cadeados.Fiz questão de esconder as chaves, fiz questão de não gritar, de não pedir socorro, de não avisar ninguém que eu estava bem ali.Fiz questão de apagar as pistas e de domesticar meus monstros.Fiz e refiz os muros, cuidadosamente, pra que nada, nem ninguém me tirasse dali.
Criei minhas leis, minha cultura, minha religião, meu deus, meus sacramentos, minha civilização, meu governo, meu país.Criei e acreditei. E ainda lutei por eles.
Mas aí eu percebi... me sufoquei, me matei, me venci!
Mas aí volta o dia seguinte e eu começo a reerguer tudo de novo.Aí eu percebo, me sufoco e morro.
Mas aí volta o dia seguinte e eu começo a reerguer tudo de novo.Aí eu percebo, me sufoco e morro.
Meu Deus! Tira de perto de mim os tijolos e principalmente o cimento.
Enquanto isso, enquanto volta o dia seguinte e Deus não me tira daqui, me sufoco e morro."
Damáris Maia
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